Eles continuam mais atuais do que nunca

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(Yes! Nós temos biquíni e a rebeldia na moda)

 

Biquínis, suquínis maiôs. Marquinhas, marcões, top less. Gordinhas, magérrimas, plus size (vocês não fazem ideia de como eu acho essa expressão estranha, apesar de atualíssima para os padrões atuais em que vivemos!). Enfim... O mundo nunca mais foi o mesmo depois da invenção do biquíni, o duas-peças mais famoso da humanidade. E se não for da humanidade, certamente dos fetichistas de plantão.

Demorei a ir conferir a exposição Yes! nós temos biquínis, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil, mas valeu a pena. Na verdade, esperava uma coleção menor levando em consideração a fama do objeto em nossas terras. Contudo, apesar de uma versão menor, ela não é menos intensa em nenhum momento. Os fãs - e principalmente as mulheres - ficarão orgulhosos do trabalho realizado.

De cara, deparo-me com uma fotografia das famosas Ilhas de Bikini (sim, meus amigos: o biquíni é uma invenção made in France). Em defesa de nossas terras verdejantes, ao passear pelos setores da exposição, fiquei orgulhoso de mim mesmo ao ver as tangas indígenas antigas e me dar conta de que, na verdade, nossos ancestrais indígenas forneceram uma importante contribuição para o vestuário. Na verdade, custo a acreditar que eles não sejam os pioneiros, os verdadeiros criadores nessa história. Polêmicas e patriotismos à parte, não é disso que se trata a mostra que oferece um painel bastante eclético do amado e fetichizado objeto.

Os manequins feitos de uma textura que lembra a areia da praia dialogam com as imagens e os textos que introduziam a história para os visitantes. Nos textos, menções as mais variadas sobre pioneiros do biquíni e do corpo como um todo década a década. Homens como Fernando Schlaepfer (e seus 365 nus - ensaio disponível na internet - que chocaram os mais puritanos), Alair Gomes, Pierre Verger, Thomas Farkas, Otto Stupakoff, Antônio Guerreiro (que praticamente dominou os anos 1970), Klaus Mitteldorf (no final dos anos 1980) e Bob Wolfenson (com seus tecidos futuristas e modelagens geométricas). Por sinal: procurem! há versões de biquínis que tentam definir o que será o duas-peças no futuro.

Vejo uma série de manequins que mostram a evolução do traje e o quanto eles foram encurtando com o passar dos anos (Asa delta? Alguém?). Eu sei, eu sei... Os homens, claro, agradecem. Porém, fico mais interessado da discussão proposta pelo painel que tenta definir o que seria um "corpo de praia". Sim, as gordinhas estão na moda, vieram para ficar. E bem fazem elas, porque nem todo mundo acha as top models e seus corpos quase anoréxicos essa coisa toda...

Outro aspecto que me interessou muito foi a correlação entre a história do biquíni e a história da imigração no Brasil. Como nossos hermanos francesas trouxeram a magnânima peça para nossas macunaímicas terras. E há toda uma aula de história sobre isso. Estudantes, vale a pena um bloco de notas para anotar!

Já no segundo módulo, uma surpresa: "Qual é a sua praia?". Do lado esquerdo, milhares de pranchas. Do lado direito, o panorama de uma praia repleta de banhistas. No centro, uma cabine audiovisual exibe uma praia em tempo real, onde se ouve o marulhar das ondas. Ou seja: os curadores da mostra convidam os espectadores a um banho rápido. Sensacional!

Após uma hora fuçando e admirando os objetos, encerro a visita deslumbrado com o personagem exposto. Sempre soube que o biquíni era um querido entre nossas terras, mas nunca pude supor que ele poderia tomar tanta relevância e entrando pelo século XXI mais atual do que nunca, reinventado de mil maneiras. Estilistas e modelos devem ficar orgulhosos do legado que seu trabalho gerou. E os fãs certamente esperançosos de mais novidades nesse setor vindo por aí.

Observação importante: acompanha a exposição uma mostra cinematográfica onde o biquíni recebeu papel de destaque para os longametragens em questão, como por exemplo 007 e o satânico Dr. No (que eternizou a atriz Ursula Andress e seu biquíni que chegou a ser reeditado por Hale Berry em outra aventura do espião James Bond), A um passo da eternidade (e sua hoje clássica cena do beijo) e Splash - uma sereia em minha vida. para admiradores ainda mais ferrenhos pelo tema, procurem!

E termino este texto - e a visita à exposição - com uma sensação meio amarga na boca, pensando: "eu não sei nasci mulher. Nunca entenderei completamente o que representa a rebeldia por trás desse singelo objeto". Ah nós homens, e nossa eternia mania de tentar entender o universo feminino!!!

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